sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A Ghost Story - Melhor filme do ano?

A Ghost Story - Crítica



     A Ghost Story é um longa de 2017 dirigido e roteirizado por David Lowery e é estrelado por Casey Affleck, Rooney Mara e Will Oldham. O enredo se inicia quando C. morre em um acidente de carro e volta como um fantasma invisível para observar a ex-esposa, M., lidando com o luto. Isso acaba dando gancho para uma trama muito mais profunda e complexa sobre as noções de memória, existência, legado (destaque pro monólogo do Will Oldham sobre a efemeridade de tudo onde ele dá um show de interpretação e nos faz chorar com a realidade sem ser niilista), mas principalmente, o tempo. Alias, boa parte do filme é dedicada a isso. Pois o tempo passa de uma forma diferente para o protagonista, como se décadas passassem toda vez que ele piscasse, fazendo dele um dos personagens mais interessantes de todo o cinema. E é genial como o filme explica isso ao espectador, mérito da montagem de Lowery.
   O interessante é que o filme não lida com o protagonista como se fosse um fantasma específico. Ele lida como um fantasma qualquer, tanto é que ele é representado como a figura clássica do lençol com buraco nos olhos que não faz uso da linguagem verbal. Sendo assim, estamos à mercê de sua limguagem corporal e por isso é preciso qie foquemos o máximo possível nos mínimos detalhes em cena enquanto que o filme te convida a preencher aquela identidade que falta no protagonista com a sua pessoa, desafiando todo o seu senso de empatia para tentar desvendar os sentimentos do espectro, ou o porquê dele tomar certas decisões como assombrar a família que agora vive na casa onde morava.
   A fotografia do Andrew Droz Palermo merece aplausos pela sua originalidade. Com um aspecto praticamente quadrado 4X3 com pontas arredondadas e a câmera completamente estática e afastada dos personagens em planos que se alongam até depois de dizermos chega, temos a impressão que estamos assistindo fotografias, e se não fosse o som, juraria em certas cenas que a projeção havia travado. Por falar em som, tanto a sua presença quanto a sua ausência são excepcionalmente trabalhados, e é incrível perceber que certos ruídos no qual o filme trabalha em cima, como o fantasma esfregando o buraco da porta com um último esforço de comunicação com a ex-esposa, é reutilizado na riquíssima trilha sonora, que vai da angustiante cacofonia de Daniel Hart, passando para clássica orquestral (inclusive, A Ghost Story faz o melhor uso de Beethoven desde “Laranja Mecânica”) e tem o seu ápice com uma indietronica e pop alternativo que gruda na cabeça.
   As atuações são indefectíveis. Casey Affleck, enquanto vivo, faz um homem decidido e brincalhão que é muito apaixonado pela esposa, e depois que morre se torna um ser melancólico que desenvolve uma limguagem não-verbal própria da qual ele usa para se comunicar com outro espectro, e a conversa que eles têm não só é profunda, mas também muito triste. A Rooney Mara é a que faz a melhor atuação. Antes da morte do marido ela é apenas OK, mas depois do falecimento, ela acaba construindo um contraste com o protagonista, pois ela continua viva fisicamente, mas está morta por dentro. É assim que chegamos à cena mais memorável de 2017 no cinema: a amiga de M. deixa uma torta para ela pois se preocupa com o seu bem-estar, ela começa comendo tranquilamente, mas aos poucos aquela torta se torna uma metáfora para os sentimentos de raiva, dor, tristeza, angústia, desespero e solidão que a personagem sente devido ao luto dos quais ela desconta na torta. Tudo isso enquanto o fantasma do C. assiste ela com uma dor no coração que ele nem tem, mas que nós somos encarregados de sentir por ele.
   A Ghost Story é único, diferente, intimista, imersivo como poucos, reflexivo, é capas de reconstruir as nossas noções de perda, da imensidade do tempo e da existência, é melancólico, é assustador, mas não no aspecto do terror. Não é um filme para todos, provável que o filme seja entendiante para muitos pois o diretor também testa a sua paciência. Nota 1000, é possível que seja o melhor filme do ano. Mas acho dificil a Academia lembrar dele. Parabéns pra A24 Films que está sendo novamente a melhor produtora de filmes do ano. E lembrem-se: ME DIVULGUEM.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Lady Bird - Melhor filme do Ano?

Lady Bird - Crítica (Melhor Filme do Ano?)

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   "Melhor Filme do Ano?" vai ser uma série de 4 postagens de filmes que foram muito elogiados pela crítica nesse ano de 2017 para analisar qual foi o melhor do ano. Vamos começar com um longa que vai estrear no Brasil por volta de abril de 2018 se não ganhar algum grande prêmio no circuito do começo do ano que vem (pois isso interfere na data de lançamento no exterior).
   "Lady Bird" ou "Lady Bird: É Hora de Voar" é a estreia como diretora e roteirista da rainha do cinema indie atual, Greta Gerwig, e estrelado por um grande elenco relativamente jovem e ainda não tão grande na indústria, como Saoirse Ronan (Brooklyn, Um Olhar do Paraíso), Lucas Hedges (Manchester À Beira Mar), Thimothee Chamalet (Call Me By Your Name, que inclusive pode vir a aparecer aqui) e Laurie Metcalf (Getting On). O filme é um "coming of age" (termo usado pra se referir ao gênero que John Hughes popularizou com "Clube dos Cinco" e "Gatinhas e Gatões") que se passa em 2002 sobre a adolescente Christine (Ronan) que prefere ser chamada de Lady Bird e explora a sua relação com a mãe (Metcalf), assim como a sua ambição de sair de sua cidade para estudar em uma boa faculdade na costa leste dos EUA. Isso o difere de qualquer outro coming of age que normalmente fala sobre as primeiras paixões e a luta para se tornar popular na escola, o que transforma Lady Bird em um clássico instantâneo por ser bem-sucedido na tentativa de reinventar um gênero tão previsível.
   Começando pelo roteiro, ele é completamente orgânico e original, por isso que eu estou apostando nele para o Oscar. De cara ele poderia seguir por caminhos já conhecidos, para mostrar a vida difícil e oprimida de uma estudante em um colégio religioso. Pelo contrário, Lady Bird mostra a escola da protagonista como um lugar bem mais legal do que parece, onde há atividades extras bacanas, como a aula de teatro, e professores tranquilos. O que não impede de haver restrições das quais ela tem que respeitar mas eventualmente as quebra devido à sua natureza rebelde.
   Outro ponto positivo no roteiro são os diálogos que se iniciam com os personagens já conversando, como se eles já estivessem atuando mas a câmera apenas ligasse depois. Isso traz um tom de naturalidade gigantesco, de modo que eu me perguntava se eles estavam improvisando, como em Frances Ha (filme do qual Gerwig estrela). Sem falar nas piadas, que tem um timing perfeito e contextos muito engraçados, como quando no supermercado local, Lady Bird conversa com a amiga Julie sobre ir Nova Iorque para estudar, então Julie pergunta "Mas e o terrorismo?", então Lady Bird responde "Não seja tão Republicana", criticando o sensacionalismo do partido de Bush.
   Tanto a edição quanto a direção de fotografia não tem muito a dizer, o filme não procura focar nesses artifícios visuais, embora fizessem algum esforço, como colocar lentes antigas de Panavision em uma Alexa Mini para criar aquele efeito de imagem granular de câmeras caseiras da época. Diferentemente da direção de arte, figurino e trilha sonora, que ajudam na ambientação, visando recriar um pós 11 de Setembro pelo ponto de vista dos jovens da época, e é aí que vemos a maestria da direção de Greta Gerwig. Em uma entrevista ela disse ao diretor de fotografia que queria que o filme tivesse cara de memória, como em "Quatre Cent Coups" do Truffault ou " Boyhood" do Linklater, e ela consegue fazer isso quase que por conta própria, e é muito legal para um fã do cinema indie que acompanhou praticamente toda a carreira dela, ver a que patamar ela alcançou em tão pouco tempo.
"I didn't go to film school," says Gerwig, with DP Levy, "so I used all of this time writing and co-writing and producing and acting to get my 10,000 hours [of experience] or whatever that Malcolm Gladwell says you need."
Gerwig com o diretor de fotografia, Sam Levy
   No aspecto das atuações, o elenco não podia ser melhor. Saoirse Ronan consegue se superar mais um vez e provavelmente vai receber uma indicação ao Oscar pela interpretação mais sincera que eu vi no ano até agora. O mesmo pode se dizer sobre Laurie Metcalf, já que é possível ver que ela está quase que interpretando a ela mesma como mãe. Desde as pequenas discussões que acabam em um abraço e o carinho e cuidado que ela tem com a filha até as broncas giganormes por causa de mal comportamento e rebeldia. Thimothee Chamalet é o típico rebelde sem causa, e mesmo com um personagem tão simples, ele consegue dar um show. Lucas Hedges, que faz o par romântico da Lady Bird até metade do filme, não é o melhor em tela, como pode-se ver na cena onde o objetivo era claramente nos deixar tristes pela sua situação, mas ele não consegue. Hedges é um bom ator, exceto para transmitir tristeza, e isso já foi claro na sua atuação em Manchester À Beira Mar. Mesmo assim, no geral a sua atuação é ótima e a cena não desvaloriza seu trabalho, assim como não tira méritos do filme que é incrível.
   Lady Bird é intimista, hilário, orgânico, despretensioso e único. Mesmo sabendo que o filme já não terá um público grande aqui no Brasil pois é fato que a luta é sempre entre o duopólio Disney-Warner, eu recomendo muito que assistam a esse filme. Nota 10.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Como um filme da década de 30 permanece relevante ainda hoje - A Mulher Faz o Homem

A Mulher Faz o Homem - Um atemporal

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   A Mulher Faz o Homem, ou Mr. Smith Goes To Washington, é um filme de 1939 dirigido pelo grande Frank Capra (o Capracorn, que eu inclusive já falei dele em outra crítica de um filme dele: http://contraplongeereviews.blogspot.com.br/2017/12/a-felicidade-nao-se-compra-funciona.html) conta a emocionante luta pelos ideais americanos de um jovem senador chamado Jefferson Smith após ver a falta deles no Senado. Apesar de sua idade, o filme nada mais é do que um atemporal pois merece ser discutido ainda hoje, principalmente no Brasil, onde o conceito de democracia parece estar se ruindo cada vez mais.
   Os primeiros 25 minutos do filme são apenas uma homenagem aos EUA e os monumentos construídos para eternizar os grandes homens da nação, tendo sempre um foco um pouco maior no Lincoln Memorial. Após esses 25 minutos o filme passa a focar em três personagens, o primeiro é Jefferson Smith, um senador que foi escolhido por um grande político de seu estado para representá-lo no Congresso apesar de Smith nunca ter tido uma vida política; o segundo é a secretária de Smith, Clarissa Saunders, que acaba vivendo altos dilemas morais com Jefferson; o terceiro é o colega de Smith que inclusive é um exemplo para o mesmo, senador Paine, que para mim tem um arco narrativo muito interessante que gira em torno da ética de sua profissão e de suas decisões como senador.
   Este filme passa a ser relevante quando um projeto de lei que Smith propõe é ameaçado de não ser aceito devido a um esquema de enxerto que está sendo discutido no Senado. Aí que entra a parte em que nós, brasileiros, devemos prestar atenção. Sendo Smith antes apenas um cidadão comum e honesto, ele entra no Senado sem saber direito o que fazer e quando aprende ele percebe como os senadores estão preocupados em cuidar de seus próprios interesses ao invés de governar para o povo. Isso destrói a sua impressão de um governo justo que é a democracia dos EUA, mostrando a verdade nua e crua que horroriza o espectador (algo que Sidney Lumet acabaria voltando a fazer décadas depois).
   Basicamente o que nos é apresentado é a famosa corrupção pelo ponto de vista de um homem de bem que está envolto por bandidos mas que esses bandidos são protegido por estarem representando o povo, então ele "goes to fight the good fight" (desculpem, não lembro a expressão em português, não pus isso pra tentar aparecer) apenas com os seus conhecimentos recentes sobre a Constituição americana e muita ajuda da secretária e isso acaba sendo muito inspirador, de uma forma que você deseja ser o próximo Jeff Smith, mesmo que você não tenha estômago pra o que você acabou de assistir (como eu).
   Sobre as atuações, todas são muito boas, destaque pra sutil atuação do Harry Carey e pro James Stewart novinho que me fez pensar "caraca, ele era homão da porra desde sempre". Nota 9,5/10. O único defeito que eu achei foi uma cena por volta dos 40 minutos bastante desnecessária e até teatral, meio caricata, que é quando o Jeff Smith começa a socar qualquer um que ele vê na rua. Não precisava. Feliz Natal a todos. E já sabem: DIVULGUE SE VOCÊ GOSTOU.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Golpe de Mestre - Crítica

Golpe de Mestre - Crítica

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   Pegue "Butch Cassidy e Sundance Kid" (mesmo elenco e mesmo diretor), adicione alguns elementos de filmes de máfia, como "Sindicato de Ladrões", empurre a narrativa para 70 anos no futuro (por volta da década de 30), então você tem "Golpe de Mestre".
   Um jovem batedor de carteiras chamado Johnny Hooker (Robert Redford) trabalha com um criminoso chamado Luther. Um dia Luther é morto por um chefão da máfia (Robert Shaw), então Hooker vai atrás de um trapaceiro experiente (Paul Newman, inclusive eu escrevi recentemente uma crítica onde Newman também estrela, Rebeldia Indomável: http://contraplongeereviews.blogspot.com.br/2017/12/cool-hand-luke-critica.html?m=1) para aplicar um golpe no chefão da máfia como forma de vingança.
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Não ESSE Johnny Hooker
   Esse longa é um dos que mais entretém da década de 70. Desde a sequência do título onde toca "The Entertainer". Isso sem contar as conquistas excepcionais nas áreas de direção de arte, figurino e trilha sonora. Tanto é que eu achava de vez em quando que "Golpe de Mestre" era um filme gravado nos anos 1930 em technicolor, porque foi tudo bastante convivente. Muito bem feito.
   O roteiro não chega ao nível de Butch Cassidy e Sundance Kid, mas tem o seu valor e é bastante inteligente. A edição também, com algumas transições claramente inspiradas em Frank Capra e Kurosawa. A edição de som é estranhamente excelente (deu pra entender?), mas a mixagem de som falha algumas um pouquinho nas cenas de tiroteio.
   Não há muito o que falar sobre esse filme. Ele entretém como poucos, é intrigante. Um daqueles filmes que deixa você na beira da cadeira do início ao fim porque não se pode perder o foco ao assistí-lo. 9/10.
   Se você gostou, já sabe. DIVULGA, PELO AMOR DE DEUS.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Touro Indomável - Robert De Niro dando a melhor atuação masculina do cinema

Touro Indomável - "Crítica"

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   Alerta: Isso não vai ser bem uma crítica, 90% do texto vai ser só sobre a atuação do Robert De Niro.
   Há mais ou menos um ano atrás eu assisti um vídeo do meu crítico favorito, Tiago Belotti, que apontava as melhores atuações masculinas do cinema. Não por acaso Robert De Niro estava em primeiro lugar com "Touro Indomável", então eu fiquei curioso para saber o que causou aqueles intermináveis elogios pela sua performance. Ao procurar se o filme estava disponível na Netflix,  me deparei com a informação de que o mesmo tinha saído do catálogo na semana anterior. Muito tempo se passou após aquela frustração de não poder ter assistido o filme conforme a legislação (como eu disse, mais ou menos um ano) e há um tempo atrás (porque esse texto vai provavelmente sair duas semanas depois de eu ter assistido) eu assisti ele num "site paralelo" e eu devo dizer uma coisa: O que o Tiago falou é pouco pra descrever a atuação de De Niro.
   Touro Indomável, filme de 1980 dirigido por Martin Scorcese conta a trágica história do ex-pugilista Jake La Motta, um marido abusivo que não tem nenhum controle emocional e muitos problemas com a máfia do Brooklyn, o que o impede de se tornar o melhor de todos os tempos apesar de ser um grande lutador (isso não é spoiler porque ainda no primeiro ato mostra ele envelhecido e aposentado como um homem já meio infeliz, o que faz a gente deduzir isso. Novamente dizendo, aqui Robert De Niro apresenta não só a melhor performance de sua carreira, mas a melhor interpretação masculina da história do cinema. Tanto é que acaba sendo engraçado e meio embaraçoso quando o Joe Pesci (inclusive ele é o que mais se aproxima dos pés de De Niro no longa) ou a Cathy Moriarty tentam se equiparar a ele ou até roubar a cena, porque isso acaba sendo impossível.
   Recentemente eu tinha dito pra alguém que o personagem neonazista do Edward Norton no American History X é o personagem mais desenvolvido de toda a história do cinema. Inclusive, eu nem sei porque o Roberto Benigni venceu o Oscar daquele ano, ok, ele tava ótimo no A Vida É Bela, mas "Buongiorno Principessa" não é nada comparado a "I said put your mouth on the curb!" (eu passei mal vendo essa cena), mas eu me equivoquei. Derek Vyniard é o segundo personagem mais desenvolvido e multi-facetado do cinema. Jake La Motta é o número 1, principalmente pelos sentimentos que ele te passa. Ele vai de cuzão pra alguém que você torce pra um cara engraçado pra alguém que você se sente bem ao saber que ele está sendo derrotado no seu auge. Tudo isso em duas horas. O maior exemplo disso é a cena do "D'you fuck my wife?" e a cena do "I'm the boss, I'm the boss" que me pareceram quase que documentais de tão sinceras que ficaram, ainda mais quando você lembra que o filme é baseado em uma história real.
   Fora atuação mais que sensacional de Robert De Niro, podemos apontar grandes conquistas na fotografia do Michael Chapman, mais uma vez fazendo um excelente trabalho, e a direção incrível do Martin Scorcese. Também se deve apontar a maquiagem que às vezes pode parecer bem tosca (principalmente nas cenas de luta), mas é isso que faz com que fique tudo mais grotesco, porque, além do filme querer mostrar a vida de um homem completamente desequilibrado, ele está ocupado em mostrar o caos que há num ambiente específico para lutas que muitas vezes pode acabar indo para além das lonas.
   O único defeito que eu encontrei tem a ver com a edição e a edição de som, pois em alguns cortes o som ambiente muda, o que faz com que o espectador se distraia e é muito estranho um filme com tantas qualidades acabar cedendo tão facilmente em um aspecto técnico como a edição de som, que é inclusive bem simples para aquele filme, pois não demanda muito da mesma. 9.7/10.
   Se você gostou desse texto, DIVULGUE. MAS AGORA EU ESTOU FALANDO MAIS SÉRIO DO QUE NUNCA. SE VOCÊ NÃO FIZER NINGUÉM MAIS VAI FAZER. 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O Propósito da Crítica

O Propósito da Crítica

   O que eu mais gosto de escrever sem dúvidas são críticas. Entretanto, estes são os textos que eu pego menos acessos. Eu acho que a razão disso acontecer é que o público não sabe o verdadeiro significado da crítica cinematográfica. Então adivinha, hoje eu vou dar uma de Ryan Gosling como Sebastian e vou explicar pra vocês, Emmas Stone como Mias, a minha paixão.
   Saibam que isso vai ser um compilado entre as minha opiniões e as opiniões de dois críticos que eu gosto (o Pablo Villaça e o Tiago Belotti) sobre o assunto, então nem tudo aqui veio de mim. Mas relaxem, porque eu sou uma pessoa bastante objetiva então eu vou provavelmente terminar tudo isso em três parágrafos, no máximo.

A Linguagem Cinematográfica

   Parte da função do crítico é traduzir para os espectadores comuns, que naturalmente absorvem bem menos do filme (e de forma alguma eu estou querendo desmerecer os mesmos, estou apenas apresentando fatos que concluí por experiência pessoal) do que um crítico ou cinéfilo assíduo, elementos da linguagem cinematográfica bastante sutis, como metáforas de direção, metáforas de roteiro, a importância da direção de fotografia com elementos como o plano holandês, que serve como auxílio para representar desequilíbrio emocional, trilha sonora e direção de arte. Isso acaba sendo muito interessante pois se você já viu o filme, a crítica, se for bem escrita, vai te trazer o anseio de reassisti-lo apenas para que você aproveite a experiência da melhor forma possível pois você agora terá uma visão bem mais aprofundada e vai curtir muito mais do que na primeira vez que você assistiu. Experimente e veja se não é verdade.

Opinião

   Um anexo em relação aos conhecimentos da linguagem cinematográfica é a opinião que o crítico tem sobre cada filme. Ou seja, você provavelmente não quer perder duas horas e uma quantidade razoável de dinheiro em um filme que você futuramente não vai gostar (assim eu espero). Portanto, você vai querer alguma referência especializada pra saber se o filme em si é bom ou não. Aí que entra o papel da crítica, o cara vai dar a opinião sele, que foi adquirida após anos de estudo teórico e, mais ainda, prático, e sempre dando argumentos sólidos pra embasar a opinião dele em relação à qualidade do filme. Após a crítica, você se decidirá se quer ver tal filme ou não. Aliás, aí vai uma dica pra quem ainda não faz isso.

O Senso Crítico

   As primeiras críticas que eu vi foram do Gabriel Gaspar e eu vi sem nenhum compromisso de querer me aprofundar no assunto, foi só porque eu tava a toa e abria qualquer dia o YouTube pra assistir os vídeos dele no Acabou de Acabar, e a partir daí eu fui conhecendo mais sobre o cinema e o mise en scène e fui me aprofundando mais no assunto até que eu tivesse um embasamento crítico próximo à um profissional. Então outra função da crítica, essa inclusive muitos poucos dizem, é o educativo. Como se fosse uma aula prática de como desenvolver um senso crítico semelhante ao seu interlocutor à um longo prazo. E isso é bem mais interessante do que se espera porque foi como eu disse, antes eu fazia parte daquele público comum que poderia se surpreender e achar graça em qualquer coisa, tanto é que até 2015 o meu filme favorito era "A Lenda do Tesouro Perdido: O Livro dos Segredos" que é um live-action da Disney com o Nicolas Cage e tem várias falhas de roteiro que antes eu não identificava. E são erros como esse que, após desenvolver esse senso crítico vinda de uma grande bagagem de filmes que você assistiu ou lendo muitas críticas, você percebe e isso, pessoalmente, traz uma sensação muito prazerosa.

   Se você achou interessante esse texto e te deu vontade de ler mais críticas, compartilhe. DIVULGUE TAMBÉM. SÉRIO, DIVULGUE MESMO.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi - Crítica

Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi - Crítica

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   Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi é o filme mais recente da franquia Star Wars. Esse filme é a continuação do "O Despertar da Força", que se trata da Rey sendo ensinada pelo Luke Skywalker a ser Jedi e a Primeira Ordem quase que extinguindo os rebeldes, então eles tem que fazer algo em relação a isso, o que dá origem a várias subtramas. O interessante foi a decisão de iniciar o filme recapitulando o que ocorreu no fim do filme anterior, o que foi muito conveniente pra mim, que não lembrava o que tinha acontecido com o Finn e a Leia. Entretanto, isso pode cansar o espectador logo no começo. Uma das várias decisões arriscadas que o roteiro toma, embora tenha vários outros porque ele não é de se levar muito à sério.
   Não se levar a sério também é uma característica marcante da direção do Rian Johnson, diretor e roteirista de Os Últimos Jedi. Aliás, acho que isso foi o que ele teve de mais cativante e diferente entre todos os outros realizadores da franquia, e foi com o que eu mais me identifiquei. Quem me conhece mesmo sabe que eu nunca falo algo 100% sério. Mesmo quando eu quero dizer algo sério, eu falo brincando, e o Rian Johnson faz isso muito. Acho que a única cena que eu posso citar sem dar spoiler é quando a Rey tenta "alcançar" a Força. Quem viu sabe, o roteiro poderia muito bem ir a uma direção completamente filosófica e profunda, mas esse filme é muito diferente de qualquer outro do Star Wars (visualmente e narrativamente falando, relaxa que eu vou explicar melhor isso mais pra frente) e ele brinca com toda a situação.
   Já é "mais pra frente", então eu vou explicar porque esse filme é tão diferenciado. A questão, na verdade, tem a ver com uma reclamação que a Lucasfilms abordou como uma crítica construtiva. Vou explicar melhor: quando "O Despertar da Força" foi lançado, muitos saíram do cinema chateados pois eles já estavam tão acostumados com aquele tipo de narrativa que o filme poucas vezes apresentou algum grau de originalidade. De fato, "O Despertar da Força" é quase que uma releitura do Episódio IV. Dessa forma, a Disney aceitou o fan service e fez com que "Os Últimos Jedi" tivesse uma identidade muito própria. E isso acabou dando muito certo.
      Começando pela direção de fotografia e direção de arte. Esse filme é um completo vislumbre para os olhos do espectador; transitando entre cenários novos completamente estonteantes, como a ilha dos Porgs e o planeta que aparece no trailer que tem aquela areia vermelha, e cenários clássicos, como a Millenium Falcon. Tudo isso explorando uma variedade muito ampla de planos e ângulos, principalmente o plano detalhe e o plano aberto, ambos em ângulo frontal, ainda mais nas lutas de sabre de luz, que não me impressionaram tanto quanto eu acho que deveriam, deve ter sido o hype...acontece.


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Crait, o planeta que é um dos cenários novos da saga.
   Passando para a edição, ela continua tendo aquela identidade Star Wars de transições horizontais, mas há mais cortes do que o necessário. Principalmente com o 3D, pois em algumas cenas há mais de um corte por segundo e o cérebro não consegue processar tão rápido isso com o 3D, o que acaba deixando o espectador tonto. Sem dúvida, uma edição ousada.
   Depois é claro, vem os efeitos especiais, esses que não são tão diferentes aos mesmos do longa anterior, que já tinha um nível absurdo de perfeição, principalmente com os sabres de luz e as explosões. Por outro lado, ainda tem um uso razoável de efeitos práticos em algumas situações que me deixaram surpresos, mas eu não posso dizer porque é spoiler. Aliás, eu vou deixar no final um espaço só pra falar das minhas conclusões onde eu vou expor alguns spoilers.
   Por fim, há o roteiro, e eu o deixei por último pois é muito delicado falar dele. Em síntese, o roteiro não é dos melhores: demora pra engatar, há algumas barrigas, alguns furos, um Deus Ex Machina, alguns diálogos desnecessários e ele toma algumas decisões que deixa o fã mais frenético muito frustrado pois ele podia ir por um rumo mais "mind-blowing", mas ele decide não tomar e o filme morre na praia. Entretanto, há vários momentos muito inteligentes que compensa a maioria do que eu disse acima, principalmente a sequência psicodélica das Reys "infinitas" que seria muito bem-vinda e previsível em qualquer filme da "art house", mas eu nunca iria pensar algo do gênero em Star Wars, e acaba funcionando muito bem.
   Fora esses elementos narrativos, a atmosfera do filme continua sendo bem fiel aos outros longas da saga, tanto a incrível trilha sonora do John Williams que é muito gostosa de ser ouvida porque transita com uma suavidade incrível entre os temas clássicos de cada personagem remanescente da primeira trilogia e os temas dos personagens da nova trilogia (e quem diz que vai ser trilogia? Provável que a Disney faça bem mais filmes do que o previsto), quanto a edição de som clássica dos sons que os Wookies fazem (e acabam sendo reproduzidos também pelos mamíferos gigantes da ilha que o Luke reside e pelos cavalões alienígenas de Canto Bight) e dos sabres de luz e tiros de blasters.
   Falaremos agora das atuações. O melhor de longe é o Mark Hamill. Tipo, não só o Luke tá bem mais complexo que o habitual, mas a atuação dele é MUITO sincera, dá pra ver nos olhos do ator que ele tá se divertindo muito fazendo o Luke, e a prova disso é quando ele encontra o R2D2 e diz "Olá, velho amigo", foi muito legal ver os dois interagindo após 34 fucking anos. A Daisy Ridley tá muito bem como Rey. O Adam Driver tá incrível como Kylo Ren, mais perturbado do que nunca. A Carrie Fischer tá ótima como Leia, como sempre. O Oscar Isaac tá MUITO bem, graças a ele o Poe é meu segundo personagem favorito, porque ele é muito humano. O Domhall Gleeson também tá incrível como sempre, e às vezes funciona até como alívio cômico, vê se pode. O Benicio del Toro também tá, mas o personagem dele é muito estranho e nem parece que é de Star Wars, quase que um Tyler Durden de Clube da Luta. O John Boyega tá mais ou menos como Finn, mas isso eu vou dizer na sessão spoiler e não é muito problema do ator, é mais culpa do roteiro.
   Star Wars Episódio VIII está muito longe de ser o melhor filme da saga e também não chega ao mesmo nível do episódio VII, mas continua sendo um filme muito acima da média e é junto de Baby Driver e Corra! as obras audiovisuais de 2017 que apresentam o melhor entretenimento pro público geral. 8.3/10.
   E se você gostou dessa crítica, ME DIVULGA PELO AMOR DE DEUS, PORQUE SE VOCÊ NÃO FIZER ISSO NINGUÉM MAIS VAI FAZER.
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Quem diz que os Porgs não foram importantes nem gente é. Eles são importantes sim, foram até eleitos à Pessoa do Ano da revista Time.

   Subtextos: Rússia e crítica à indústria armamentista e ao capitalismo

(A partir daqui você está sujeito a levar spoiler)
   Um Youtuber chamado Lucas Zomer já falou como Star Wars, apesar de ser uma franquia de blockbusters, pode apresentar subtextos muito profundos e inteligentes que são colocados em forma de metáfora pra casar com o enredo do filme. Aqui não é diferente, e o arco do Finn e da Rose (e do Benicio del Toro) em particular trabalha muito bem com temas muito profundos. Primeiro, Rússia. Isso foi uma observação que o meu amigo (o Samuel, um forte abraço pra ele) fez em relação a Canto Bight, onde eles fazem um paralelo com a Rússia, um lugar onde praticamente escravizavam pessoas das classes econômicas mais baixas pra garimpar minérios raros como o ouro pra sustentar os luxos dos mais ricos, como os jogos de azar.
   Outro momento é quando o Benicio del Toro explica que "bad guys" e "good guys" são termos inventados que não significam nada pra quem visa o lucro, como o proprietário da nave que vendia armas tanto pro Império quanto pra Aliança. Crítica claríssima ao capitalismo e à indústria armamentista norte-americana.
      Vou tentar ser bem breve porque o texto já tá muito grande. Aquelas coisas que eu não gostei do roteiro. Vamos em ordem: o filme demora pra engrenar, foi aquilo que eu disse sobre recapitular o fim do episódio VII. Não precisava, mas estranhamente funcionou pra mim. Deus Ex Machina: pra quem não sabe o que é isso, é quando ocorre uma coisa que ninguém espera mas, diferente do plot twist, não faz nenhum sentido, é só pra salvar algum personagem querido ou o protagonista, como a Leia usando a força. Geral no sala do cinema ficou maravilhado com aquilo, mas eu não gostei, narrativamente é um erro. Mas quem sou eu, não é mesmo? Que credibilidade eu tenho?
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Tyler Durden AF.

Sessão Spoiler



   Vou tentar ser bem breve porque o texto já tá muito grande. Aquelas coisas que eu não gostei do roteiro. Vamos em ordem: o filme demora pra engrenar, foi aquilo que eu disse sobre recapitular o fim do episódio VII. Não precisava, mas estranhamente funcionou pra mim. Deus Ex Machina: pra quem não sabe o que é isso, é quando ocorre uma coisa que ninguém espera mas, diferente do plot twist, não faz nenhum sentido, é só pra salvar algum personagem querido ou o protagonista, como a Leia usando a força. Geral no sala do cinema ficou maravilhado com aquilo, mas eu não gostei, narrativamente é um erro. Mas quem sou eu, não é mesmo? Que credibilidade eu tenho?
   Barrigas: barriga de roteiro é quando o filme enrola pra contar uma coisa, como o próprio arco da Rose e do Finn em Canto Bight e na nave do Snoke, que poderia ter sido bem mais sucinto. Decisões erradas: o que eu quis dizer com aquilo, pra quem ainda não entendeu, é que tinha o potencial de algo acontecer e você ficar chocado, mas o filme decide ir pelo caminho contrário. Um ótimo exemplo disso é quando o Luke conta quando quis matar o Ben antes de se tornar Kylo Ren porque ele falhou como mestre, aí rola um efeito Yojimbo LOKASSO quando a Rey se conecta com o Kylo Ren através da Força e depois disso o Luke diz "Não, foi só um pensamento que eu tive na hora, mas depois eu desisti e quando eu vi o Ben tava acordado e ele entendeu errado e tentou me matar". Eu, como fã, adoraria que na verdade o Luke quisesse realmente matá-lo. Isso traria uma desconfiança e um conflito muito grande entre a Rey e ele e isso se tornaria muito interessante, o que faria com que a cena que o Kylo Ren abre fogo contra o Luke se tornasse muita mais épica. Da mesma forma que seria épico o sacrifício do Finn pra destruir o canhão do Império se a Rose não estivesse lá e da mesma forma que foi épica quando a Almirante Holdo destruiu a nave do Snoke à velocidade da luz, literalmente, naquela cena sem som que fez geral no cinema quase que pular da cadeira, principalmente pelo próprio arco da personagem que é em si muito "mind-blowing" porque a gente passa metade do filme achando que ela é uma traidora.
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Laura Dern também tá ótima como Holdo


   Por último, mas não menos importante, tem o cameo do Yoda que é muito legal, que usam os efeitos práticos do Yoda fantoche raiz. Bom, se você chegou até aqui, você se importa com a minha opinião, então eu deduzo que gostou do texto. Por isso, ME DIVULGA, PELO AMOR DE DEUS, PORQUE SE VOCÊ NÃO FIZER ISSO, NINGUÉM MAIS VAI FAZER. ME DIVULGA AONDE VOCÊ QUISER, MAS ME DIVULGA.