sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Felicidade Não Se Compra - Funciona melhor que muito antidepressivo por aí

A Felicidade Não Se Compra - Recomendado para todos os sad boys

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   Pelos meus cálculos, eu deveria soltar essa crítica retrô dia 31, mas esse filme me comoveu muito e eu vou passar ele pra frente da lista. Caso vocês queiram saber o porquê dele ter me comovido, recentemente eu tenho dito algumas coisas e tenho me comportado me modo que alguns dos meus amigos começaram a pensar que eu tinha virado sad boy, e de tanto eles me falarem eu passei a acreditar nisso e virei sad boy, embora eu tenho tentado ao máximo esconder isso, aí eu assisti esse filme e eu tô me sentindo bem melhor. Vivaaaaa, chega de escutar My Chemical Romance e Green Day.
   A Felicidade Não Se Compra é um filme de 1946 dirigido pelo grande Frank Capra (Capracorn) e é estrelado pelo homão da porra James Stewart (dono de uma das melhores vozes de veludo de serem ouvidas) e pela Donna Reed (que está muito bem aqui, se levar em conta que é o seu primeiro papel de grande prestígio). O filme é sobre a superação de obstáculos da vida do humilde George Bailey. Porém, acima disso, o filme é feito pra mostrar como somos importantes e devemos preservar as nossas vidas e sermos felizes porque você faz muitas pessoas felizes também (e vivas em alguns casos).
   O filme em si é tecnicamente perfeito. Capra de novo revolucionou os roteiros de cinema com uma jornada de herói completamente cativante. Fotografia com tons mais claros, parecida com a de Casablanca. A edição é do mesmo estilo Kurosawa/George Lucas (que viriam a se tornar cineastas décadas depois) com transições de passagem horizontal (nem sei se vocês conseguiram entender) que ele já tinha usado em A Mulher Faz O Homem (que eu inclusive escrevi crítica e vai sair um por volta de...27 de dezembro, algo assim) e aqui é bem explorada. O som é uma das suas maiores qualidades. Ouvir "Do you want the Moon?" nesse filme é a definição de alto e claro. Não há muito o que dizer da direção de arte, é que nem a trilha sonora de O Extraordinário: funciona; assim como figurino também. Os efeitos especiais são um caso a parte, a sequência dos anjos no começo do longa é meio tosca pra quem vê hoje em dia, mas pra época era bem vistosa (e critativa) se comparar com...Ed Wood. Tá bom, parei.
   Agora, as maiores de todas as inúmeras que o filme tem é o roteiro. Inspirador, embora passe por cada perrengue. Pensa num cara que se sacrificou, então, é muito provável que o George Bailey tenha se sacrificado bem mais (ele ficou surdo de um ouvido quando foi salvar a vida do irmão). E outra, o roteiro é cheio de frases memoráveis como "I'll give you the Moon. I'll throw a lasso and give it to you" que te dão muita animação. Isso sem falar das cenas com o Clarence, que são muito legais, assim como a sequência final ao som de Auld Lang Sine que me fez sorrir, e quem me conhece, eu viro a pessoa mais séria do mundo quando estou assistindo algum filme.
Divulgação
Essa foi a cena que me fez sorrir
   Resumindo, esse filme é muito especial mesmo, e eu vou testar assistir ele om os meus amigos e com alguns amigos no Natal (porque esse filme é um filme natalino. Bom...pelo menos mais que Duro de Matar), porque ele é MUITO inspirador, tanto é que ele foi eleito pelo AFI como filme mais inspirador da história e o AFI é muito respeitado, e ele vai te animar muito, vai te dar forças.
   Mais um fim de um texto gostoso de ser escrito. Agora é a sua vez, se você gostou, se acha que outras pessoas poderiam gostar do que eu escrevo, divulgue essa página. Não, não, é sério agora: SE VOCÊ GOSTOU, DIVULGUE, porque se você não fizer isso, ninguém mais vai fazer.
   Ah não, era temporário esse intervalo de tempo sem a deprimência. Vou é dormir, me acorde quando setembro chegar 😢.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Extraordinário - Um ótimo filme, porém uma adaptação medíocre

O Extraordinário - Um ótimo filme, porém uma adaptação medíocre

Extraordinário Poster

   Como é bom ir com o cinema com os amigos, né? Nesse ano lemos "O Extraordinário" como livro literário na minha escola (e devo dizer que foi um dos melhores do ano) e a nossa professora, Raquel, disse que poderíamos assistir a adaptação no cinema quando estreasse este ano, mas até eu ler o livro eu fiquei desanimado com essa ideia pois eu achava que esse livro seria mais um início de franquia de blockbusters baseados em livros de público juvenil. Entretanto "O Extraordinário" se mostrou, não só um ótimo livro, mas um bom filme, apesar de suas falhas na hora de adaptar o roteiro.
   O Extraordinário, dirigido e roteirizado por Stephen Chbosky (o mesmo que fez "As Vantagens De Ser Invisível") e estrelado pelo prodígio Jacob Tremblay ("O Quarto de Jack"), Julia Roberts e Owen Wilson (aliás, essa é a sua melhor atuação desde "Midnight In Paris" do Woody Allen) conta a história de Auggie Pullman, um garoto de 10 anos que tem uma deformidade na face e, por decisão de seus pais, vai para escola, lá ele muda a vida e o comportamento de diversas pessoas.
   O "quê" desse filme (e do livro também) é que ele não procura focar somente no Auggie, mas explora pontos de vistas de vários outros personagens, como o melhor amigo, a irmã, a melhor amiga da irmã. Por um lado, isso enriquece essa história demais, diferente de outros filmes que já tem o propósito de mexer com o psicológico do espectador com uma carga dramática exagerada, como praticamente toda a filmografia do Lasse Hallström (Sempre Ao Seu Lado, Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador, Chocolate), de quem eu já disse anteriormente que não gosto; por outro, não há uma boa transição entre elas. Digo, todas as transições funcionam de forma criativa, sempre relacionando o nome do personagem com algo que é identificável a ele, mas o erro aparece quando termina cada um desses arcos: em momentos aleatórios. Aliás, esse filme tem vários problemas com a montagem, e tudo bem se só um verdadeiro cinéfilo ou crítico reparasse nisso, mas todos da sala repararam que do nada a tela mudou de "lago cristalino" pra "fogos de artifício à noite"...fez zero sentido. Sinceramente, eu não faço ideia como eu entenderia tudo o que estava sendo mostrado se eu não tivesse lido o livro.
   A direção de arte é muito convidativa, enquanto que o figurino e a fotografia tem uma paleta de cores que ajuda a contar a história. O trabalho de maquiagem está surpreendente, principalmente porque não há muito dizendo como o August é esteticamente no livro. A trilha sonora funciona, mas falhas no roteiro. Parte do erro da montagem está no roteiro, o que dificultou muito na hora da direção e da edição, principalmente lá pro final do filme, que foi quando realmente colocam toda a carga dramática que o filme tem a oferecer pra comover quem assiste (uma pena que eu não choro e nunca chorei assistindo filmes), isso resultou na subtrama própria da Miranda, amiga de sua irmã, que é completamente desnecessária já que o que estava sendo mostrado pelo ponto de vista da irmã de Auggie não era rasa o bastante para a necessidade de um arco próprio. Entretanto, o roteiro dá a oportunidade para o espectador não julgar nenhum personagem de forma alguma, pois esse faz o mesmo. Você vê um personagem fazendo algo completamente reprovável, mesmo assim você entende o porque dele fazer isso, ou pelo menos ter uma ideia. E outra, eu simplesmente amei o fato que eles pensaram direitinho de alguma forma para expressar os pensamentos mais profundos do Auggie, e aí vem a parte da atuação.
   Jacob Tremblay mais uma vez dá um show, ele te faz lembrar do seu primeiro dia de aula, com toda aquela insegurança na hora de entrar e isso te faz refletir "Nossa, se foi ruim na minha vez, imagina pra esse menino" e isso dói o coração, toda vez que alguém faz bullying com ele, dói muito o coração porque você já conhece ele e sabe como é um bom menino e mesmo assim descontam muito ódio nele. A Julia Roberts faz o papel da mãe de uma forma espetacular, com uma personalidade maternal muito forte, fazendo com que todas as mães no cinema se identifiquem com pelo menos uma de suas ações, e o melhor, sem os seus maneirismos de comédia romântica com fins de "roubar a cena", porque ela sabe que não vai conseguir, que o foco deve estar no Jacob Tremblay. Owen Wilson funciona bem como alívio cômico, sempre soltando uma ou outra frase que faz o público gargalhar. Izabela Vidovic faz a irmã de Auggie, Via, e ela tem o arco mais complexo, e honestamente, pela idade da atriz (16), eu achava que ela não daria conta de viver a personagem. Pensa só: quase não ter a atenção dos pais e mesmo assim ter que lidar com isso e até mentir pros mesmos devido as circunstâncias para não causar nenhum estresse a mais pra família, além disso, perder o contato com a melhor amiga e ficar completamente só por um bom tempo sem que pudesse reclamar. Isso enlouquece, sabe? Noah Jupe faz o amigo de Auggie, Jack, que tem também uma alta carga dramática, e o que mais me impressionou foram aqueles pequenos gestos que indicavam que antes de virar seu amigo, procurava não ENCOSTAR nele. Aquilo foi sensacional, assim como o choro de culpa após uma briga que ele entra pra defender o amigo, que é muito tocante. Ah, a Sônia Braga faz uma ponta no filme, que apesar de ser importante pra história do livo, é completamente dispensável no filme. O ator que faz o Julian, o bully, também tem o seu momento de glória na hora em que se arrepende do que faz, naquele momento eu fiquei com dó dele, mesmo que nada justificasse as suas ações.

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Tem ele também
   O Extraordinário é tocante, engraçado em alguns momentos precisos que vem a calhar uma risada, muito otimista em relação à humanidade, mas tem seus problemas. Mesmo assim, deve ser assistido por adultos e crianças pois passa uma mensagem muito positiva. 8.5/10

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eskiya (O Bandido) - Crítica com Spoilers

O Bandido - Esperava muito mais

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   Pela primeira vez eu vou fazer uma crítica negativa. Eskiya, filme turco de 1996, escrito e dirigido por Yavuz Turgul (nunca nem vi) e estrelado mais pelo Ugur Yücel do que pelo Sener Sen, que é o próprio bandido do título. Aqui temos um claro exemplo de um longa que não sabe pra onde ir quando acabam as opções boas e ainda tem bem mais tempo de tela. O filme é sobre um bandido (Sen) que ficou preso por 35 anos e quando finalmente é solto vai atrás de quem o denunciou. Ele descobre que quem o denunciou foi um homem de sua vila e quem o ordenou que fizesse isso foi o antigo amigo do Bandido, Berfo, que mora em Istambul. Indo pra Istambul ele conhece o Jovem Cumali, que trabalha com a máfia da região e é quando começam a aparecer os defeitos do filme.
   Primeiro, os monólogos desnecessários, em uma estação de trem vemos Cumali pondo a cabeça pra fora do trem e vê vários policiais o esperando, então ele vira a cabeça em direção à câmera e diz com uma expressão muito artificial "ah não, tem policiais me esperando na estação, o que eu faço?". Isso poderia funcionar bem no teatro, mas no cinema isso se torna lixo. Depois são apresentados os personagens coadjuvantes. UM MAIS RASO QUE O OUTRO. E O PRÊMIO DE MAIS RASO VAI COM CERTEZA PRO BERFO. Na moral, dá muito bem pra eu resumir o Berfo em uma palavra: fudido. O Berfo é um fudido, anda de cadeira de rodas, tem que usar aqueles tubos de oxigênio e quando o cara que ele traiu retorna a primeira coisa que ele pede é a mulher dele de volta que o Berfo pegou. ELE É SEM DÚVIDAS UM FUDIDO.
   Apesar de ter tramas paralelas interessantes, quando elas acabam você fica se perguntando "caramba, mas e agora? O filme acabou, né?". E a reposta que o filme dá é bem clara: o filme acabou, MAS AINDA TEM 30 MINUTOS DELE, ENTÃO DECIDI QUE VAMOS ENCHER LINGUIÇA. E  é isso que ele faz, o filme enche linguiça até não dar mais, esses trinta minutos foram os mais desnecessários que eu já vi. Pra se ter ideia, 70% dos erros do filme estão nessa meia-hora, problemas técnicos que eu vou falar mais pra frente.
   Já é "mais pra frente", começando com a edição: O Bandido tenta ser inventivo com a sua edição com timing aleatório, mas acaba que fica muito estranha porque de vez em quando ela não respeita a regra dos 180 graus, aí você fica se perguntando "espera, mas ele não tava na esquerda?". Passando pra mixagem de som, novamente, tenta ser inventiva mas no fim ficou terripéssima (inventei um adjetivo novo aqui), tem uma parte em específico que me deixou sem palavras, na verdade sem expressão, eu não sabia se eu ria, se eu chorava, eu fiz meio que os dois porque nem em novela mexicana (e olhe lá) a mixagem de som ficou tão cacofônica. Passando pra direção de arte, esse foi o erro mais WTF? que eu pude encontrar. Basicamente tem uma cena que o Bandido encontra a sua mulher e ela tá tomando chá no meio da passagem dos carros e do lado dela tem um canteiro de tulipas, eu olhei praquilo e pensei "que viajéssa, mermão?". E depois voltamos pro roteiro, aqui vemos um final cheio de simbolismos, fazendo referências com os diálogos rasos anteriores, deixando estes novos ainda mais rasos. A única exceção são poucos segundos em que o Bandido diz uma coisa muito filosófica, se brincar nem foi o roteirista que escreveu aquilo, foi tipo, o aplicador de insulfilm dele, porque tá muito bom pra aquele filme. Tem também um chroma key muito vergonhoso que eu prefiro nem comentar, porque ele treme. Velho, nem The Room tinha chroma key tremido.
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Até "Santana, acabe com ela" é melhor do que a cena acima
   Agora sem brincadeira, o que salva é a direção de fotografia, tem uns tracking shots muito bem bolados, planos que ninguém espera e deixa o espectador deslumbrado, explora bem o potencial das paisagens naturais da Turquia Central e consegue traçar paralelos entre esta e a vista de Istambul, dando até uma incrementada no roteiro mais que problemático.
   O Bandido é fraco, entediante, problemático e com uma direção confusa, mas tem uma ou outra virtude que transformou de alguma forma este como um clássico do cinema turco. 5/10.
   Divulgue a página se você gostou da minha crítica.

domingo, 10 de dezembro de 2017

O Sol É Para Todos - Sugestão Netflix

O Sol É Para Todos - Dica Netflix

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   A adaptação audiovisual do grande clássico homônimo (em inglês, que é "To Kill a Mockingbird") da literatura americana do grande Harper Lee é um desses filmes que pode sair a qualquer momento do catálogo da Netflix pois ninguém o assiste apesar de sua qualidade. O longa de 1962 estrelado por Gregory Peck, Brock Peters e Robert Duvall (o pai do homem de ferro, Robert Downey Jr.) é um retrato do racismo nos estados do sul dos EUA pelo ponto de vista inocente das crianças de um humilde advogado que precisa defender um homem negro acusado de estupro (quase que eu solto um "estrupo" aqui, me perdoem).
   Um filme tocante que merece ser visto por pessoas de todas as idades, credos e cores pois ensina uma lição muito importante sobre a inutilidade do sentimento do ódio e a única verdade que existe, que é que todos são iguais, tanto é que no fim acabaremos nos tornando adubo algum tempo depois da nossa morte.
   Com atuações de alto nível (que foram inclusive premiadas) e grandes conquistas com direção de arte e a fotografia preto e branco (apesar de já parecer antiquada para aquela época, década de 60), sem contar na boa adaptação do livro pro roteiro, "O Sol É Para Todos" ou "To Kill A Mockingbird" é um clássico obrigatório.
   Nem vou dar nota, vocês que tirem a sua conclusão ao assistir, se gostou desse novo formato, com um texto mais curto, por favor digam nos comentários e divulguem a página àquele(a) amigo(a) seu(sua) que gosta de cinema.

P.S.: Eu gostaria de dizer que isso não é plágio do Pablo Villaça, porque eu sei que ele também já indicou esse filme lá no Cinema Em Cena, mas não é plágio, fiquem tranquilos.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Dia de Cão - Sugestão cult

Dia de Cão - Sugestão cult (Crítica)

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   Dia de Cão é um filme de 1975 dirigido por Sidney Lumet e estrelado por ninguém mais ninguém menos que Al Pacino. A trama é sobre um roubo a um banco que acaba dando errado e isso causa um efeito borboleta enorme sobre um dos ladrões e os policiais que negociam a libertação dos reféns.
   Primeiramente eu gostaria de expressar a minha surpresa na edição, ela estava muito a frente do seu tempo, quase que flertando ao ritmo frenético de filmes da última década, como "Réquiem Para Um Sonho" e "Ultimato Bourne". A outra grande virtude do filme é o roteiro do Frank Pierson (que foi inclusive um dos roteiristas de Cool Hand Luke, filme do qual eu recentemente analisei: https://contraplongeereviews.blogspot.com/b/post-preview?token=IGXjJ2ABAAA.837rzy7Nea0w76zdIMPliPXcz780YMUn_Mb9xbBncZCzO8zlrWCmHwgyU1UTVrxH0YJPyXQVRKylbnMP7QtFDg.AWGb8ci1fglUqUuaz96wzw&postId=109846989368747792&type=POST), que possui diálogos muito realistas, e não é pra menos, porque esse filme foi baseado em uma história real, com falas memoráveis e que se encaixam muito bem com o contexto histórico que os Estados Unidos viviam na época (como podemos ver quando o personagem do Al Pacino critica o caso da prisão de Attica, onde foram mortos pela polícia 39 pessoas, desses, 10 eram reféns com a célebre fala "Attica!Attica!", e foi nesse momento que eu percebi que o nome da prisão tem pronúncia idêntica a "Érica") e sem nenhuma facilitação narrativa pra passar o tempo mais rápido, não é à toa que o filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
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"ÉRICA! ÉRICA!"
   Passando para a parte das atuações, Al Pacino aqui apresenta uma performance distinta à sua filmografia anterior, aqui ele faz um personagem com muitas camadas de personalidade, o que permite que sua atuação seja mais rica do filme, aliás, a atuação dele e a do Investigador Moretti são as duas únicas que me chamaram atenção, praticamente todo o elenco de apoio poderia ser substituído, mas o orçamento do filme também não era muito grande se você for ver, essa ainda era a época em que o Sidney Lumet só fazia filme indie, só um ano depois que ele ia vir com Rede de Intrigas e Assassinato do Expresso Oriente.
   A fotografia é concentrada em cores pastéis, talvez pra simbolizar a opressão e angústia, que pode também ser encontrada em repartições públicas que precisam de muita burocracia antes que o seu pedido seja realizado, como em um banco por si só, mas acaba deixando o filme monótono para muitos, aliás, boa direção de arte também, me deixou com muito tédio, se era esse intuito.
   Dia de Cão é um exemplo de filme independente maravilhoso, tocando em temas polêmicos pra época, como a transsexualidade e a violência policial, com roteiro reflexivo e engraçado e uma das melhores atuações de Al Pacino, o filme não fica atrás quando se fala de popularidade. Sendo um filme revolucionário pra época, mostrado o lado das coisas que poucos tem acesso (pra mim essa é a marca registrada do Lumet, e do Forman, mas ele não vem ao caso), como os circos midiáticos montados sobre qualquer coisa de razoável relevância, Dia de Cão deve ser assistido apesar de ter as suas falhas. Nota 8,5/10.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cool Hand Luke - Crítica

Cool Hand Luke - Crítica


   Eu poderia muito bem ter usado a tradução do nome do filme aqui do Brasil ("Bravura Indomável"), mas eu não gosto dessa então deixa o titulo original mesmo.
   Cool Hand Luke é um filme de 1967 dirigido por Stuart Rosenberg e estrela Paul Newman como Lucas Jackson, um detento acusado de vandalismo que se recusa a obedecer o sistema dentro da prisão e isso mexe com o psicológico todos lá de dentro. Eu tenho um péssimo hábito de assistir certos filmes sem saber direito a trama deles, então quando eu vou realmente assistir eu acabo me dispersando porque nada me chama atenção. Dessa vez, apesar de ter lido a premissa no IMDb, eu achei a mesma fraca, mesmo assim eu vi porque faz parte do IMDb Top 250 (pra quem não sabe, eu tenho a meta de assistir todos os filmes da lista que eu ainda não assisti até o fim desse ano) e eu me vi completamente equivocado com relação ao pré-conceito que tive sobre a premissa do filme.
   Apesar dela parecer bem genérica e jurar ter visto a mesma coisa em outros filmes só que de outra maneira (cof..cof..À Espera de Um Milagre), esse filme tem a sua originalidade por ter sido o primeiro dessa linha de grandes clássicos (apesar de eu nunca ter visto alguém falar de Cool Hand Luke), mas principalmente vemos alguns dos shots mais criativos da sétima arte, que eu não sei o porquê, eu nunca mais vi eles sendo representados em qualquer outra obra. O exemplo mais evidente é o icônico (novamente intervenho pra dizer que ele é icônico dentro do filme, assim como quase tudo nele, Cool Hand Luke é um tesouro perdido, tipo "Kes" do Ken Loach) shot, que também é uma ótima metáfora de direção, dos óculos espelhados do Boss Godfrey, que transmite a sensação de ameaça. Eu pessoalmente achei essa ideia genial, filmar o reflexo de óculos escuros espelhados foi muito criativo.

   A edição dinâmica e mixagem de som frenética também ajuda na hora de criar a atmosfera do longa, apesar da edição de som estourar algumas vezes, como o cachorro da polícia fica preso na cerca e ele começa a uivar, o áudio dá um estourada básica, mas se brincar foi de propósito pra criar aquela mesma ideia de ameaça e euforia.
   As atuações aqui estão impecáveis, Paul Newman faz um anti-herói daqueles que você observa ele, ouve o que ele diz e pensa "caraca, ela tá certo, não é porque isso é o seu dever que isso tá certo, olha em volta", nesse caso foi mérito do roteiro reflexivo de Donn Pearce que deixam claras as motivações do protagonista e enriquece a experiência do espectador, mas enfim, você torce pro protagonista, detesta o capitão psicopata que o Strother Martin faz (nunca ouvi falar nele, nunca nem vi) e ri junto com o personagem George Kennedy que funciona muito bem como alívio cômico, apesar do seu arco trágico. Nem falei da trilha sonora que acompanha muito bem a história e tem uma melodia que poderia ser repetitiva, mas o compositor tem uma magia que faz a gente amar ela cada vez mais.
   Cool Hand Luke é criativo, revolucionário e uma pérola negra muito bem escondida na sétima arte, impecável em todos os aspectos (nem falei da memorable quote que tem no filme, que é muito significativa) e merece ser assistido, de preferência até o final porque as últimas cenas, principalmente a que tem narração do George Kennedy, é muito emocionante. Nota 10.
   Divulgue a página se você gostou do que você leu.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OK Go - Analogias visuais incríveis

OK Go - Analogias visuais incríveis


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   Você já parou pra pensar como linguagem corporal combinada com a própria fala é uma coisa incrível? Como se fosse um reforço para que o interlocutor captasse a mensagem? Algumas pessoas devem achar isso desnecessário, e às vezes infantil, pois isso pode fazer com que a comunicação se torne mais lenta, mas eu pessoalmente acho fantástica essa linguagem mista.
   No audiovisual você pode encontrar exemplos dessa linguagem mista em diversas formas, mas a mais bacana é com certeza a junção da música com a linguagem verbal ou com movimentos (esta última é chamada de Mickey Mousing e eu inclusive citei ela na minha crítica de um dos melhores filmes do ano, Baby Driver: http://contraplongeereviews.blogspot.com.br/2017/08/baby-driver-is-it-best-of-edgar-wright.html, que fez um bom uso de juntar a letra da música com elementos em cena) Muitos não gostam disso, mas eu acho um recurso fascinante
   Em todos os meios comunicativos, é possível encontrar pessoas e grupos que fazem bom uso destas técnicas, como o próprio Edgar Wright, diretor de Baby Driver, Scott Pilgrim vs. The World e da trilogia Cornetto, e a banda americana OK Go, que é com certeza uma das que mais chama atenção pelos seus clipes extravagantes e quase que impossíveis de serem gravados que normalmente começam com a mesma mensagem: "Tudo o que vocês vão ver é real", cujo o clipe por si só é uma analogia visual com a letra da música.
   O premiado quarteto de rock de Los Angeles tem um currículo razoavelmente conhecido devido principalmente ao segundo álbum do grupo, "Oh No", no qual eles introduziram a produção de clipes altamente criativos, inclusive com o ganhador do Grammy de melhor videoclipe, "Here It Goes Again", o famoso vídeo da dança das esteiras que eu pessoalmente acho muito legal.
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   Passando por um processo criativo bem atípico e meticuloso, a banda pensa muito fora da caixa quando se trata em planejar os videoclipes, e isso foi inclusive o tema de várias músicas (e clipes), como "Upside Down & Inside Out", cujo clipe foi gravado em gravidade zero dentro de um daqueles aviões de carga especializados para este tipo de voo, criando uma analogia visual com a letra que diz "gravidade é apenas um hábito que você tem certeza que não pode quebrar", uma clara referência de você se prender nas ideias já impostas na sociedade e achar que não se pode fazer nada em relação a isso, ignorar o fato de que você é livre para pensar e agir.
   Esse texto deve estar parecendo como uma propaganda pra OK Go (e quem disse que não é?), mas na verdade eu quero divulgar o trabalho deles, que é muito genial mas não muito valorizado, já que não se vê por aí gente comentando como foi legal alguém criar um stop-motion a partir que um cortador a laser em centenas de torradas (sim, eles fizeram isso no clipe de "The Last Leaf") ou uma máquina de Rube Goldberg com mais de 130 elementos que incluía um carro e canhões de tinta ("This Too Shall Pass") ou uma coreografia LOKASSA de guarda-chuvas gravada em um estacionamento abandonado de Tóquio por um drone há 800 metros de altura ("I Won't Let You Down", esse último geral acha que é CGI, mas na verdade é real). Então uma banda que já alcançou tal nível de produção artística e você provavelmente nem saber o nome dela, você não sabe o que está perdendo, eles merecem muito mais público mesmo e é isso o que eu tô querendo buscar.
   Outra razão pra eu escrever isso é porque eu não assisti nenhum filme nos últimos dois dias então nem tem sobre o quê eu escrever crítica, mas isso não vem ao caso, apreciem o trabalho dos caras e depois me agradeçam.
   Se gostou (e eu nem sei como você vai conseguir, o texto de hoje ficou muito ruim, considerando que eu tô trabalhando nele há mais de uma hora), divulgue.